Quase quatro em cada dez crianças e adolescentes brasileiros estão acima do peso. Dados do World Obesity Atlas 2026, divulgados nesta quarta-feira (4), Dia Mundial da Obesidade, mostram que 38,4% da população entre 5 e 19 anos no Brasil tem sobrepeso ou obesidade.

A proporção é quase o dobro da média global, estimada em 20,7%.
Segundo o levantamento da Federação Mundial de Obesidade, o país tem cerca de 17 milhões de jovens acima do peso, sendo aproximadamente 7,5 milhões com obesidade.
O excesso de peso na infância está associado a problemas de saúde semelhantes aos observados em adultos, como hipertensão, doenças cardiovasculares, colesterol elevado, hiperglicemia e doença hepática esteatótica, conhecida como gordura no fígado.
De acordo com o endocrinologista Bruno Halpern, presidente eleito da Federação Mundial de Obesidade para o biênio 2027–2028, a transformação nos padrões alimentares tem papel importante no avanço do problema.
“A insegurança alimentar historicamente foi relacionada à desnutrição. Agora, existe alimento, só que o que se tem são os ultraprocessados, que não nutrem e levam ao ganho de peso. Então, você pode ter pessoas com desnutrição e obesidade ao mesmo tempo”, explica.
Segundo o especialista, nos países de renda média e baixa, alimentos baratos, ultraprocessados e pobres em nutrientes têm substituído opções mais saudáveis, impactando principalmente crianças e famílias de menor renda.
A obesidade já se tornou a forma mais comum de má nutrição entre crianças e adolescentes em grande parte do mundo, segundo relatório do Unicef que analisou dados de mais de 190 países.
A taxa global de obesidade nessa faixa etária subiu de 3% em 2000 para 9,4% atualmente, enquanto a prevalência de baixo peso caiu de quase 13% para 9,2%.
“A obesidade é uma preocupação crescente que pode afetar a saúde e o desenvolvimento infantil”, afirmou a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, em comunicado.
Caso a tendência atual se mantenha, a situação pode piorar nas próximas décadas. A estimativa é que, até 2040, cerca de 50,4% das crianças e adolescentes brasileiros estejam com sobrepeso ou obesidade.
O excesso de peso também está ligado ao aumento de doenças metabólicas entre jovens. Em 2025, por exemplo, cerca de 1,4 milhão de crianças e adolescentes no país apresentavam hipertensão associada ao excesso de peso.
Outros problemas relacionados incluem hiperglicemia, triglicerídeos elevados e doença hepática associada à disfunção metabólica.
O que pode ser feito
Especialistas apontam que a prevenção exige uma combinação de políticas públicas e mudanças de comportamento.
Entre as medidas recomendadas estão:
- Redução da publicidade de ultraprocessados voltada a crianças;
- Taxação de bebidas açucaradas e produtos semelhantes;
- Incentivo à prática de atividade física;
- Fortalecimento do aleitamento materno;
- Melhoria da alimentação escolar.
Embora o Brasil tenha programas importantes, como a alimentação nas escolas públicas com baixo uso de ultraprocessados, desafios permanecem.
Atualmente, 84% dos adolescentes brasileiros entre 11 e 17 anos não cumprem as recomendações de atividade física.
Para especialistas, enfrentar a obesidade infantil exige olhar para fatores sociais, ambientais e econômicos que influenciam hábitos alimentares e estilos de vida.
