A reorganização da centro-direita em Mato Grosso do Sul tem causado desconforto dentro do Partido Liberal (PL). A reunião da última quarta-feira (4), entre o governador Eduardo Riedel (PSDB), o pré-candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL), o presidente nacional do partido Valdemar da Costa Neto e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como possível pré-candidato à Presidência da República, tem movimentado os rumos da política no Estado.
Durante o lançamento do livro do escritor e publicitário Kenneth Corrêa, “Um Legado Forjado entre Rios – A História de Laucídio Coelho”, o governador Eduardo Riedel comentou sobre a reunião realizada em Brasília (DF), que teria reafirmado o apoio de Flávio Bolsonaro à sua candidatura à reeleição ao governo do Estado.
Segundo o governador, o encontro foi positivo e teve como foco alinhar o projeto do PL em Mato Grosso do Sul.
“Foi tranquila e positiva. Conversamos bastante sobre o projeto do PL em Mato Grosso do Sul. Durante a reunião, Flávio reafirmou compromisso com o Estado, sabendo que há uma força política consolidada entre partidos como União Brasil, PSDB e PSD, entre outros da mesma linha ideológica”, relatou.
O vídeo divulgado nas redes sociais, no qual Riedel manifesta apoio a Flávio Bolsonaro em uma eventual pré-candidatura à Presidência da República, causou desconforto dentro do PL em Mato Grosso do Sul.
Nas últimas semanas, o ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu uma carta à mão, divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, reafirmando que seu candidato ao Senado é o deputado federal Marcos Pollon (PL).
Toda essa reconfiguração política no Estado levou o deputado estadual João Henrique Catan a se desfiliar do PL. Ele deve se filiar ao Novo e pode disputar o governo do Estado, alegando falta de apoio dentro da sigla.
Questionado sobre essas movimentações, Riedel afirmou que as mudanças fazem parte da dinâmica política e são legítimas, mas ressaltou que é preciso aguardar para entender “com qual camisa” cada liderança seguirá, em referência às trocas partidárias que ocorrem durante a janela partidária.
“A política tem seu tempo e essas mudanças devem acontecer até o início de abril. Alguns estão procurando seus caminhos, como é o caso do Pollon em relação ao Senado. A reunião com Flávio foi exatamente para isso: conversar sobre projetos e analisar cenários para entendermos os objetivos do partido”, afirmou.
“Posso afirmar que quero ao meu lado pessoas que cumpram seu papel. Estou pensando no Estado e no país e quero pessoas com os mesmos pensamentos. Vejo que as pré-candidaturas de Pollon e do Capitão Contar são legítimas. Gianne e Rodolpho Nogueira também, mas precisamos afunilar a discussão e, juntamente com o PL nacional e o ex-presidente Bolsonaro, que tem voz ativa, fechar os nomes que seguirão nos ajudando”, acrescentou.
Por fim, o governador afirmou que a fragmentação política pode enfraquecer projetos coletivos e o papel do ex-governador Reinaldo Azambuja, é articular as conversas para unir forças em Mato Grosso do Sul.
“Se cada um adotar um caminho individual, não estará pensando em projeto, mas apenas em interesses próprios”, concluiu.
gpn
