Mais duas mortes por chikungunya foram confirmadas pela SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul), em Jardim e Fátima do Sul. Assim, subiu para dez o número total de óbitos pela doença registrados neste ano no Estado. Ao todo, 17 cidades de MS enfrentam epidemia de chikungunya.
No dia 4 de abril, um homem de 94 anos morreu em Jardim. O resultado do exame laboratorial que confirma a causa da morte foi liberado na sexta-feira (10). O idoso era portador de comorbidades, como pressão alta, câncer e diabetes.
Na mesma data, a SES-MS confirmou a morte de um homem de 82 anos, em Fátima do Sul, a 237 quilômetros da Capital. Ele morreu na última quarta-feira (8) e tinha diabetes e pressão alta. O principal grupo de risco para chikungunya são pessoas em extremos de idades (idosos e bebês), principalmente com comorbidades.
Além disso, o boletim epidemiológico mostra 4.281 casos prováveis de chikungunya em Mato Grosso do Sul. Desses, 2.102 foram confirmados (49,1%) e outros 2.179 são suspeitas, que aguardam resultado de exame do Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública).
Estado concentra 55,5% das mortes
No Brasil, em 2026, foram registrados 18 óbitos pela doença. Assim, 55,5% das mortes do país estão concentradas em Mato Grosso do Sul. Mato Grosso (2), São Paulo (2), Rondônia, Bahia, Goiás e Minas Gerais são os outros estados que registraram mortes.
Em todo o ano de 2025, foram registradas 17 mortes por chikungunya em Mato Grosso do Sul. Ou seja, em pouco mais de três meses, o número de mortes já alcança 58,8% do total do ano anterior, que foi o de maior circulação do vírus chikungunya.
Quatro mortes suspeitas
Há também quatro mortes em investigação por suspeita de chikungunya. Duas delas foram registradas em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande, que é considerada o epicentro da doença no Estado.
Na primeira sexta-feira de abril (3), morreu um menino indígena de 12 anos. E, na terça-feira (7), houve o registro da primeira suspeita de morte pela doença fora da reserva indígena — uma menina de apenas 10 anos, conforme a prefeitura da cidade. A SES-MS não divulgou informações sobre as outras duas mortes suspeitas.
Os exames são coletados no município de residência do paciente e enviados para análise no Lacen, em Campo Grande. Não há prazo para divulgação de resultados. Conforme dados da SES-MS, 50,9% dos casos prováveis em MS ainda aguardam a conclusão laboratorial.
Mais 8 mortes confirmadas
Além dos dois óbitos confirmados na sexta-feira (10), Mato Grosso do Sul acumula mais oito mortes pela doença neste ano. Uma mulher de 82 anos morreu por chikungunya em Jardim, no dia 23 de março. Outro óbito foi registrado em Bonito: um homem de 72 anos, que morreu em 19 de março.
Em Dourados, foram seis vítimas indígenas — duas mulheres, de 69 anos (25 de fevereiro) e 60 anos (12 de março); dois homens, de 73 anos (4 de fevereiro) e 55 anos (3 de abril); e dois bebês, ambos meninos, de um mês (19 de março) e três meses (6 de março).
Fátima do Sul e Jardim
As duas cidades que confirmaram mortes por chikungunya na sexta-feira (10) — Jardim e Fátima do Sul — estão no topo de ranking de municípios que enfrentam epidemia da doença, por terem incidência superior a 300 casos por 100 mil habitantes.
Em Fátima do Sul, a incidência é de 2.518,3. A cidade registra 519 casos suspeitos, com alta de apenas nove casos nos últimos sete dias. Apesar de ter registrado a primeira morte pela doença nesta sexta-feira, a epidemia apresenta desaceleração no município.
Por outro lado, a SES-MS registra aceleração da doença em Jardim, onde outra morte já foi confirmada neste ano. Nos últimos sete dias, foram registrados 44 novos casos prováveis. A incidência chega a 1.338,6, com aumento de 15,8% no período.
O secretário de Saúde da cidade, Jorge Cafure Junior, afirma que o município se preocupa com as consequências de longo prazo da doença. Mais da metade dos pacientes com chikungunya tem sequelas por anos, com dores crônicas nas articulações. “Nós colocamos uma fisioterapeuta desde fevereiro para atender exclusivamente essa população que foi acometida pela doença”.
Epidemia em 17 cidades
A circulação do vírus chikungunya é considerada epidêmica quando a proporção de casos por 100 mil habitantes (incidência) é superior a 300. Em Mato Grosso do Sul, 17 municípios estão nessa situação. Confira o ranking:

Considerando todas as cidades de Mato Grosso do Sul, a incidência chega a 155,3 casos por 100 mil habitantes no Estado — 13,6 vezes maior que a média nacional, de 11,4. Nos últimos sete dias, a incidência estadual aumentou 17%.
Chikungunya mata e causa sequelas
Segundo o Ministério da Saúde, o vírus da chikungunya também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, como: encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 50% das pessoas que contraem a doença seguem com os sintomas por anos. Óbitos são recorrentes nos grupos de risco, que são pessoas em extremos de idade, como bebês e idosos.
- Epidemia em Mato Grosso do Sul: como reagir aos primeiros sintomas de chikungunya?
Sintomas:
- Febre;
- Dores musculares;
- Dor de cabeça;
- Dores intensas nas articulações;
- Manchas vermelhas pelo corpo;
- Dor atrás dos olhos;
- Dor nas costas;
- Conjuntivite não purulenta;
- Náuseas e vômitos;
- Inchaço nas articulações;
- Coceira na pele, que pode ser generalizada ou localizada nas palmas das mãos e solas dos pés;
- Diarreia e/ou dor abdominal;
- Dor de garganta;
- Calafrios.
A doença começa na fase aguda, que dura de 5 a 14 dias e é caracterizada pela febre e pelas dores nas articulações. De 15 dias a três meses, ocorre a fase pós-aguda. Se os sintomas persistirem, o Ministério da Saúde considera que a fase crônica já está instalada. Mais da metade dos acometidos por chikungunya sofre com a dor nas articulações, que pode persistir por anos.
Como me proteger?
Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:
- Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água;
- Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
- Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
- Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
- Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
- Amarre bem os sacos de lixo;
- Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
- Não acumule sucata e entulho;
- Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
- Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
- Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
- Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras;
- Mantenha em dia a manutenção das piscinas.
mdx
