Com o fim da janela partidária, definida a correlação de forças, os pré-candidatos a governador de Mato Grosso do Sul – Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT), João Henrique Catan (Novo) e Renato Gomes (DC) – começam a definir o tom da campanha eleitoral deste ano. Favorito na disputa, o pepista aposta no apoio do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) para surfar entre os eleitores de direita, enquanto os demais, esquerda e direita, vão tentar desconstruir a atual gestão.
A menos de seis meses do primeiro turno, os candidatos começam a adotar o discurso para conquistar o coração e voto dos 1,970 milhão de eleitores de Mato Grosso do Sul. Após Reinaldo Azambuja (PL) enfrentar dois turnos para chegar à Governadoria, Riedel vai trabalhar para liquidar a fatura no primeiro turno, feito só feito por André Puccinelli (MDB) em 2006 e 2010.
Ancorado no apoio de seis partidos – Republicanos, PL, PP, MDB, PSD e União Brasil – Riedel começa a fase de pré-campanha colado no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão e em prisão domiciliar devido a problemas de saúde. Ele já participou de várias reuniões com Flavio Bolsonaro.
Nesta semana, o governador entregou ao senador sugestões do agronegócio para incluir no plano de governo. “Na última reunião que tivemos, o nosso pré-candidato a presidente da República, @flaviobolsonaro, nos pediu um conjunto de diretrizes para o agro brasileiro, construídas por quem vive o setor, conhece os desafios na prática e tem um dos melhores resultados do país em produção e na indústria de transformação”, afirmou Riedel.
“Eu e Reinaldo fizemos a entrega de um documento contribuindo com conteúdo, responsabilidade e visão estratégica para fortalecer um dos pilares que movem a economia do país”, afirmou.
O governador foi bastante elogiado pelo presidenciável do PL. Nesta quinta-feira, o governador deverá acompanhar o senador na agenda em Campo Grande. Ele deverá participar da abertura da Expogrande, assistir ao show do cantor Zezé Di Camargo e se reunir com dirigentes do PL.
Riedel ainda aposta nas obras de pavimentação de rodovias e no pacote de PPPs, as parcerias público-privadas, que está implementado para garantir investimentos em rodovias, saneamento e na saúde.
Oposição
Ex-presidente da OAB/MS e ex-deputado federal, Fábio Trad construiu fama nas redes sociais criticando e mostrando as contradições dos bolsonaristas. Desde meados do mês passado, o ex-deputado começou a falar mais sobre assuntos referentes a Mato Grosso do Sul.
Em uma das postagens nesta semana, Fábio falou sobre o ótimo tratamento dado pelo Governo estadual aos produtores rurais. “O agro merece respeito, mas o povo também merece respeito”, defendeu o petista. Como exemplo, ele citou a falta de remédios básicos nos postos de saúde, como dipirona, e a falta de médicos para atender idosos no interior, que contrastam com os números da economia de MS.
Em outra publicação, Fábio defendeu investimento na saúde mental para mudar a estatísticas alarmantes de suicídios no Estado. O candidato defendeu mais investimentos para ajudar a população a enfrentar a exaustão mental, a depressão. “Quem tem plano de saúde, resolve, mas é preciso ver a dor que ninguém vê”, defendeu.
Bonecos animados
João Henrique adotou como linha a desconstrução de Riedel como candidato da direita. Apesar do governador contar com o apoio do ex-presidente e do senador Flávio Bolsonaro, ele passou a bater na tecla de que não se trata de um candidato legítimo da direita. Ele se apresenta como a “verdadeira direita” de Mato Grosso do Sul.
Outra estratégia adotada pelo candidato do Novo é bonecos animados, que representam o governador, o ex-governador Reinaldo Azambuja e os principais aliados no Estado. A animação para mostrar problemas e as contradições do adversário passou a ser a principal bandeira de João Henrique.
Também na direita está o economista Renato Gomes. Só que ele adota um estilo mais radical e direto para bater no atual governador. O democrata cristão tem ido para a frente dos locais para mostrar os problemas e tem recorrido a estudos para mostrar promessas que não foram cumpridas desde a gestão de Reinaldo Azambuja.
A disputa ainda contará com o candidato do PSOL, Lucien Rezende, que não tem movimentado, por enquanto, as redes sociais com a pré-campanha.
Favorito
Para o cientista político Tércio Albuquerque, o governador vai para a reeleição com o maior índice de aceitação, que chega a 60% em algumas pesquisas. Na sua avaliação, o principal adversário será Fábio, que, apesar do Estado ser de centro direita e direita, vai ter o peso por contar com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ele considera que Riedel chega como favorito, principalmente, porque o governo é considerado bom e tem boa avaliação por parte da população. Já João Henrique Catan, conforme Albuquerque, está no jogo mais como parte de uma estratégia para se projetar para o futuro.
